Os números favorecem Lula em emprego, desmatamento, segurança e indicadores sociais, e Bolsonaro na trajetória da dívida e na avaliação ao fim do mandato. Crescimento e inflação dependem de quanto peso se dá à pandemia, que atingiu só o governo Bolsonaro.
Vítimas por ano no Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Cada gráfico tem escala própria; a média anual de cada governo está no topo.
Pesquisas Datafolha, em % dos entrevistados, por mês desde a posse. Lula ainda está no 3º mandato.
"Números favorecem" diz qual período tem o indicador melhor, não quem é responsável por ele. Leia o resumo para o contexto.
| Ponto | Bolsonaro (2019–2022) | Lula (2023–2026) | Números favorecem | Resumo | Fontes |
|---|
Critério das fontes. Só entram órgãos oficiais e independentes (IBGE, INPE, Banco Central, IFI do Senado, STF, Agência Senado, FAO/ONU, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Datafolha) e veículos sem histórico de apoio a Lula ou a Bolsonaro (Poder360, Correio Braziliense, Congresso em Foco, Estado de Minas, Bloomberg Línea). Ficaram de fora sites de partidos e sindicatos e veículos alinhados a um dos lados, como CartaCapital, Revista Oeste, Jovem Pan, Gazeta do Povo, CUT, Vermelho e SBT.
Valores anuais de 2019 (PIB, IPCA, desemprego, desmatamento, dívida), IPCA de 2024, desemprego de 2020 e 2023 e dívida de 2019 a 2021 e de 2023 vêm das séries oficiais desses órgãos, sem reportagem própria listada. O ano do Prodes vai de agosto a julho, então 2023 mistura os dois governos.
Nenhum presidente foi condenado por corrupção nos mandatos analisados. A única condenação de Bolsonaro é por tentativa de golpe de Estado, crime contra a democracia e não de corrupção. Nos dois governos, ministros caíram ou foram investigados por desvios, e os dois maiores esquemas (INSS e emendas) atravessaram as duas gestões.
Critério. Só entram casos com investigação formal de PF, PGR, MPF, CGU, TCU, CPI/CPMI ou STF. Estágios: investigação (suspeita) → indiciamento (polícia ou CPI vê indícios) → denúncia (acusação formal do MP) → réu (processo aberto) → condenação. Quem não foi condenado é presumido inocente, e as defesas negam irregularidades.
Joias sauditas. Em julho de 2024 a PF indiciou Bolsonaro e outras 11 pessoas por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, pela suspeita de venda no exterior de presentes recebidos no cargo. Em março de 2026 a PGR pediu o arquivamento: a lei não define se esses presentes são da União ou do presidente. O STF ainda não decidiu; as joias foram enviadas à Receita para um processo administrativo.
Cartão de vacina. A PF indiciou Bolsonaro em março de 2024 por inserção de dados falsos de vacinação. Em março de 2025 o STF arquivou o caso contra o ex-presidente, a pedido da PGR. É crime de falsidade, não de corrupção, mas envolveu servidores públicos.
Pastores no MEC. Dois pastores sem cargo intermediariam verbas do FNDE para prefeituras em troca de vantagens. O ministro Milton Ribeiro saiu em março de 2022 e foi preso pela PF em junho. Em agosto de 2024 o MPF pediu a retomada do inquérito, parado havia mais de dois anos; não há denúncia registrada.
Covaxin. A CPI da Pandemia apontou irregularidades no contrato da vacina indiana. O inquérito contra Bolsonaro por prevaricação foi arquivado em abril de 2022, a pedido da PGR.
Madeira ilegal. O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles virou réu na Justiça Federal do Pará em agosto de 2023, acusado de facilitar o contrabando de madeira com uma norma de 2020. Mais 21 pessoas respondem ao processo.
Orçamento secreto. As emendas de relator, distribuídas sem identificar o parlamentar autor, cresceram no período. Em dezembro de 2022 o STF as declarou inconstitucionais, por 6 votos a 5.
Fraude no INSS. A operação da PF e da CGU, em abril de 2025, levou à saída do presidente do INSS e, em maio, do ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT). O esquema começou antes do governo, mas a cobrança recai sobre a demora em interrompê-lo a partir de 2023.
Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha). Em julho de 2026 o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a PF a investigá-lo por tráfico de influência e corrupção, para apurar se favoreceu o lobista conhecido como Careca do INSS, apontado como operador da fraude e preso desde setembro de 2025. Não há indiciamento. A defesa diz que ele não recebeu dinheiro do lobista.
Juscelino Filho (Comunicações). Em abril de 2025 a PGR o denunciou por corrupção no desvio de R$ 7,5 milhões em emendas de 2022, de quando era deputado, para obras da Codevasf em cidade governada pela irmã. Lula pediu sua saída e ele deixou o ministério; o STF ainda não decidiu se ele vira réu. Ele nega os crimes.
Banco Master e Alexandre Padilha. Em outubro de 2026 a revista Veja publicou trechos de uma proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro que cita propina para o ministro Padilha e repasses ao Instituto Lula. A PGR rejeitou a proposta por não cumprir requisitos legais, e a PF diz que Vorcaro não prestou depoimento com esse conteúdo. Padilha chama o relato de farsa; não há investigação aberta sobre ele.
Descontos no INSS. Entidades associativas descontaram cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados entre 2019 e 2024, sem autorização; é o total descontado, não o valor comprovado como desviado. Até dezembro de 2025, cerca de 4,1 milhões de devoluções (R$ 2,83 bilhões) haviam sido sacadas. A CPMI terminou em março de 2026 sem relatório aprovado (19 a 12); o texto pedia o indiciamento de 216 pessoas, incluindo os ex-ministros da Previdência José Carlos Oliveira (Bolsonaro) e Carlos Lupi (Lula). As investigações seguem na PF e no STF.
Emendas parlamentares. As emendas passaram de cerca de R$ 10 bilhões há uma década para R$ 40 bilhões em 2026. O STF mandou a PF investigar desvios; os inquéritos, relatados por Flávio Dino, atingem políticos do PL (Valdemar Costa Neto teve R$ 119,2 milhões bloqueados), do Republicanos e do PT. Todos negam irregularidades.
Banco Master. Um inquérito relatado por André Mendonça apura um repasse de cerca de R$ 65 milhões do banco ao filme Dark Horse, sobre Bolsonaro, feito após pedido de Flávio Bolsonaro. Do lado do governo, há o relato não comprovado sobre Padilha descrito acima.
Nenhum caso chegou a condenação; o mais avançado é o de Ricardo Salles, réu desde 2023.
| Caso | Governo | Cargo mais alto envolvido | Quem investiga | Estágio (out/2026) |
|---|---|---|---|---|
| Madeira ilegal | Bolsonaro | Ministro do Meio Ambiente | MPF, Justiça Federal do Pará | Réu desde 2023 |
| Juscelino Filho e emendas da Codevasf | Lula | Ministro das Comunicações | PF, PGR, STF | Denunciado em 2025; STF não decidiu se vira réu |
| Joias sauditas | Bolsonaro | Presidente | PF, PGR, STF | Indiciado em 2024; PGR pediu arquivamento em 2026 |
| Pastores no MEC | Bolsonaro | Ministro da Educação | PF, MPF | Ministro preso em 2022; inquérito sem denúncia |
| Fraude no INSS | Bolsonaro e Lula | Ministros da Previdência dos dois governos | PF, CGU, STF, CPMI | Investigação; relatório da CPMI rejeitado em 2026 |
| Lulinha e o lobista do INSS | Lula | Filho do presidente | PF, STF | Investigação aberta em 2026 |
| Emendas parlamentares | Bolsonaro e Lula | Parlamentares de PL, Republicanos e PT | PF, STF, TCU | Investigação; bens bloqueados |
| Banco Master | Bolsonaro e Lula | Ministro da Saúde (relato) e senador Flávio Bolsonaro (patrocínio de filme) | PF, PGR, STF | Delação rejeitada; inquéritos sobre o banco seguem |
| Covaxin | Bolsonaro | Presidente | PF, PGR, STF | Arquivado em 2022 |
| Cartão de vacina | Bolsonaro | Presidente | PF, PGR, STF | Arquivado em 2025 |
| Orçamento secreto | Bolsonaro | Congresso e Executivo | STF | Declarado inconstitucional em 2022 |
Na percepção de especialistas e empresários, o Brasil ficou estagnado nos dois governos: 38 pontos no fim do mandato de Bolsonaro e 35 em 2025, abaixo da média global de 42. O índice mede percepção, não casos comprovados, e cada edição reflete dados dos dois anos anteriores.
Nenhum dos dois tem condenação válida por corrupção. Lula foi condenado na Lava Jato, mas as condenações foram anuladas em 2021 por questões processuais, sem julgamento do mérito. Flávio é investigado no STF desde julho de 2026 no caso Banco Master, e a denúncia das rachadinhas foi arquivada após a anulação das provas.
| Candidato | Caso | Período dos fatos | Acusação | Estágio (out/2026) |
|---|---|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro | Banco Master e filme Dark Horse | 2024–2025, como senador | Lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas | Investigado no STF desde jul/2026; sem indiciamento |
| Flávio Bolsonaro | Rachadinhas na Alerj | Até 2018, como deputado estadual | Peculato, lavagem e organização criminosa (R$ 6 milhões) | Denunciado em 2020; provas anuladas pelo STJ em 2021; denúncia arquivada em 2022 |
| Flávio Bolsonaro | Empréstimo do BRB para a mansão | 2021 | Ação popular (cível), não penal | Retomada pelo TJDFT em 2023 |
| Lula | Triplex do Guarujá e sítio de Atibaia (Lava Jato) | 2003–2014 | Corrupção e lavagem | Condenado; anulado pelo STF em 2021; prescrito depois |
| Lula | Outros 9 processos (Zelotes, quadrilhão do PT e outros) | 2003–2016 | Corrupção, organização criminosa, obstrução | 3 absolvições; os demais suspensos, trancados ou arquivados |
Flávio e o Banco Master. A PF diz que Flávio era interlocutor direto do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme sobre o pai, com reuniões e cobranças de pagamento. O contrato previa US$ 24 milhões, e cerca de metade foi paga. A PGR pediu que se levantem projetos de Flávio no Senado que possam interessar ao banco. Ele diz que foi um patrocínio privado, sem dinheiro público, e que a divulgação tenta prejudicar a campanha.
Flávio e as rachadinhas. Em fevereiro de 2025 o ministro Gilmar Mendes negou reabrir o caso, mas lembrou que a anulação não impede o MP do Rio de apresentar nova denúncia.
Lula e a Lava Jato. O STF anulou as condenações por incompetência da Justiça Federal de Curitiba e depois confirmou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. Reabertos em Brasília, os casos do triplex e do sítio prescreveram. Como presidente, Lula não é investigado pessoalmente; o filho é, no caso do INSS, e o Instituto Lula é citado na delação de Vorcaro rejeitada pela PGR.
Como ler. Este é um mapa de prioridades, não uma recomendação de voto: mostra quais prioridades encontram mais respaldo no histórico de cada lado. A escolha depende de valores e de quanto peso cada pessoa dá a cada tema.