Bolsonaro x Lula em dados

Os números favorecem Lula em emprego, desmatamento, segurança e indicadores sociais, e Bolsonaro na trajetória da dívida e na avaliação ao fim do mandato. Crescimento e inflação dependem de quanto peso se dá à pandemia, que atingiu só o governo Bolsonaro.

Indicadores ano a ano

Média anual · Bolsonaro (2019–2022)—
Média anual · Lula (2023–2025)—
Bolsonaro Lula 2018, base de comparação
Fonte: —
Contexto: —
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Criminalidade ano a ano

Vítimas por ano no Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Cada gráfico tem escala própria; a média anual de cada governo está no topo.

Bolsonaro (2019–2022) Lula (2023–2025)
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Cada ano vem da edição mais recente do Anuário que o traz, porque o FBSP revisa os dados anteriores; 2019 não tem total de mortes violentas nem de feminicídios comparável.
Edições usadas:

Avaliação no mesmo ponto do mandato

Pesquisas Datafolha, em % dos entrevistados, por mês desde a posse. Lula ainda está no 3º mandato.

Fonte: Datafolha. O mês 12 de Bolsonaro só tem a avaliação positiva publicada.

Comparativo ponto a ponto

"Números favorecem" diz qual período tem o indicador melhor, não quem é responsável por ele. Leia o resumo para o contexto.

Ponto Bolsonaro (2019–2022) Lula (2023–2026) Números favorecem Resumo Fontes

Critério das fontes. Só entram órgãos oficiais e independentes (IBGE, INPE, Banco Central, IFI do Senado, STF, Agência Senado, FAO/ONU, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Datafolha) e veículos sem histórico de apoio a Lula ou a Bolsonaro (Poder360, Correio Braziliense, Congresso em Foco, Estado de Minas, Bloomberg Línea). Ficaram de fora sites de partidos e sindicatos e veículos alinhados a um dos lados, como CartaCapital, Revista Oeste, Jovem Pan, Gazeta do Povo, CUT, Vermelho e SBT.

Valores anuais de 2019 (PIB, IPCA, desemprego, desmatamento, dívida), IPCA de 2024, desemprego de 2020 e 2023 e dívida de 2019 a 2021 e de 2023 vêm das séries oficiais desses órgãos, sem reportagem própria listada. O ano do Prodes vai de agosto a julho, então 2023 mistura os dois governos.

Corrupção nos governos Bolsonaro e Lula

Nenhum presidente foi condenado por corrupção nos mandatos analisados. A única condenação de Bolsonaro é por tentativa de golpe de Estado, crime contra a democracia e não de corrupção. Nos dois governos, ministros caíram ou foram investigados por desvios, e os dois maiores esquemas (INSS e emendas) atravessaram as duas gestões.

Critério. Só entram casos com investigação formal de PF, PGR, MPF, CGU, TCU, CPI/CPMI ou STF. Estágios: investigação (suspeita) → indiciamento (polícia ou CPI vê indícios) → denúncia (acusação formal do MP) → réu (processo aberto) → condenação. Quem não foi condenado é presumido inocente, e as defesas negam irregularidades.

Governo Bolsonaro (2019–2022)

Joias sauditas. Em julho de 2024 a PF indiciou Bolsonaro e outras 11 pessoas por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, pela suspeita de venda no exterior de presentes recebidos no cargo. Em março de 2026 a PGR pediu o arquivamento: a lei não define se esses presentes são da União ou do presidente. O STF ainda não decidiu; as joias foram enviadas à Receita para um processo administrativo.

Correio Braziliense · Correio Braziliense, jul/2026

Cartão de vacina. A PF indiciou Bolsonaro em março de 2024 por inserção de dados falsos de vacinação. Em março de 2025 o STF arquivou o caso contra o ex-presidente, a pedido da PGR. É crime de falsidade, não de corrupção, mas envolveu servidores públicos.

STF

Pastores no MEC. Dois pastores sem cargo intermediariam verbas do FNDE para prefeituras em troca de vantagens. O ministro Milton Ribeiro saiu em março de 2022 e foi preso pela PF em junho. Em agosto de 2024 o MPF pediu a retomada do inquérito, parado havia mais de dois anos; não há denúncia registrada.

Poder360 · Correio Braziliense

Covaxin. A CPI da Pandemia apontou irregularidades no contrato da vacina indiana. O inquérito contra Bolsonaro por prevaricação foi arquivado em abril de 2022, a pedido da PGR.

Poder360

Madeira ilegal. O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles virou réu na Justiça Federal do Pará em agosto de 2023, acusado de facilitar o contrabando de madeira com uma norma de 2020. Mais 21 pessoas respondem ao processo.

Correio Braziliense

Orçamento secreto. As emendas de relator, distribuídas sem identificar o parlamentar autor, cresceram no período. Em dezembro de 2022 o STF as declarou inconstitucionais, por 6 votos a 5.

STF

Governo Lula (2023–2026)

Fraude no INSS. A operação da PF e da CGU, em abril de 2025, levou à saída do presidente do INSS e, em maio, do ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT). O esquema começou antes do governo, mas a cobrança recai sobre a demora em interrompê-lo a partir de 2023.

Correio Braziliense · Congresso em Foco

Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha). Em julho de 2026 o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a PF a investigá-lo por tráfico de influência e corrupção, para apurar se favoreceu o lobista conhecido como Careca do INSS, apontado como operador da fraude e preso desde setembro de 2025. Não há indiciamento. A defesa diz que ele não recebeu dinheiro do lobista.

Correio Braziliense

Juscelino Filho (Comunicações). Em abril de 2025 a PGR o denunciou por corrupção no desvio de R$ 7,5 milhões em emendas de 2022, de quando era deputado, para obras da Codevasf em cidade governada pela irmã. Lula pediu sua saída e ele deixou o ministério; o STF ainda não decidiu se ele vira réu. Ele nega os crimes.

Poder360 · Congresso em Foco

Banco Master e Alexandre Padilha. Em outubro de 2026 a revista Veja publicou trechos de uma proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro que cita propina para o ministro Padilha e repasses ao Instituto Lula. A PGR rejeitou a proposta por não cumprir requisitos legais, e a PF diz que Vorcaro não prestou depoimento com esse conteúdo. Padilha chama o relato de farsa; não há investigação aberta sobre ele.

Poder360

Casos que atravessam os dois governos

Descontos no INSS. Entidades associativas descontaram cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados entre 2019 e 2024, sem autorização; é o total descontado, não o valor comprovado como desviado. Até dezembro de 2025, cerca de 4,1 milhões de devoluções (R$ 2,83 bilhões) haviam sido sacadas. A CPMI terminou em março de 2026 sem relatório aprovado (19 a 12); o texto pedia o indiciamento de 216 pessoas, incluindo os ex-ministros da Previdência José Carlos Oliveira (Bolsonaro) e Carlos Lupi (Lula). As investigações seguem na PF e no STF.

Correio Braziliense · Agência Senado · Poder360

Emendas parlamentares. As emendas passaram de cerca de R$ 10 bilhões há uma década para R$ 40 bilhões em 2026. O STF mandou a PF investigar desvios; os inquéritos, relatados por Flávio Dino, atingem políticos do PL (Valdemar Costa Neto teve R$ 119,2 milhões bloqueados), do Republicanos e do PT. Todos negam irregularidades.

Correio Braziliense · STF

Banco Master. Um inquérito relatado por André Mendonça apura um repasse de cerca de R$ 65 milhões do banco ao filme Dark Horse, sobre Bolsonaro, feito após pedido de Flávio Bolsonaro. Do lado do governo, há o relato não comprovado sobre Padilha descrito acima.

Correio Braziliense

Comparativo dos casos

Nenhum caso chegou a condenação; o mais avançado é o de Ricardo Salles, réu desde 2023.

CasoGovernoCargo mais alto envolvidoQuem investigaEstágio (out/2026)
Madeira ilegalBolsonaroMinistro do Meio AmbienteMPF, Justiça Federal do ParáRéu desde 2023
Juscelino Filho e emendas da CodevasfLulaMinistro das ComunicaçõesPF, PGR, STFDenunciado em 2025; STF não decidiu se vira réu
Joias sauditasBolsonaroPresidentePF, PGR, STFIndiciado em 2024; PGR pediu arquivamento em 2026
Pastores no MECBolsonaroMinistro da EducaçãoPF, MPFMinistro preso em 2022; inquérito sem denúncia
Fraude no INSSBolsonaro e LulaMinistros da Previdência dos dois governosPF, CGU, STF, CPMIInvestigação; relatório da CPMI rejeitado em 2026
Lulinha e o lobista do INSSLulaFilho do presidentePF, STFInvestigação aberta em 2026
Emendas parlamentaresBolsonaro e LulaParlamentares de PL, Republicanos e PTPF, STF, TCUInvestigação; bens bloqueados
Banco MasterBolsonaro e LulaMinistro da Saúde (relato) e senador Flávio Bolsonaro (patrocínio de filme)PF, PGR, STFDelação rejeitada; inquéritos sobre o banco seguem
CovaxinBolsonaroPresidentePF, PGR, STFArquivado em 2022
Cartão de vacinaBolsonaroPresidentePF, PGR, STFArquivado em 2025
Orçamento secretoBolsonaroCongresso e ExecutivoSTFDeclarado inconstitucional em 2022

Índice de Percepção da Corrupção

Na percepção de especialistas e empresários, o Brasil ficou estagnado nos dois governos: 38 pontos no fim do mandato de Bolsonaro e 35 em 2025, abaixo da média global de 42. O índice mede percepção, não casos comprovados, e cada edição reflete dados dos dois anos anteriores.

Poder360, IPC 2022 · Transparência Internacional, IPC 2025

Os candidatos de 2026: Lula x Flávio Bolsonaro

Nenhum dos dois tem condenação válida por corrupção. Lula foi condenado na Lava Jato, mas as condenações foram anuladas em 2021 por questões processuais, sem julgamento do mérito. Flávio é investigado no STF desde julho de 2026 no caso Banco Master, e a denúncia das rachadinhas foi arquivada após a anulação das provas.

CandidatoCasoPeríodo dos fatosAcusaçãoEstágio (out/2026)
Flávio BolsonaroBanco Master e filme Dark Horse2024–2025, como senadorLavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisasInvestigado no STF desde jul/2026; sem indiciamento
Flávio BolsonaroRachadinhas na AlerjAté 2018, como deputado estadualPeculato, lavagem e organização criminosa (R$ 6 milhões)Denunciado em 2020; provas anuladas pelo STJ em 2021; denúncia arquivada em 2022
Flávio BolsonaroEmpréstimo do BRB para a mansão2021Ação popular (cível), não penalRetomada pelo TJDFT em 2023
LulaTriplex do Guarujá e sítio de Atibaia (Lava Jato)2003–2014Corrupção e lavagemCondenado; anulado pelo STF em 2021; prescrito depois
LulaOutros 9 processos (Zelotes, quadrilhão do PT e outros)2003–2016Corrupção, organização criminosa, obstrução3 absolvições; os demais suspensos, trancados ou arquivados

Flávio e o Banco Master. A PF diz que Flávio era interlocutor direto do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme sobre o pai, com reuniões e cobranças de pagamento. O contrato previa US$ 24 milhões, e cerca de metade foi paga. A PGR pediu que se levantem projetos de Flávio no Senado que possam interessar ao banco. Ele diz que foi um patrocínio privado, sem dinheiro público, e que a divulgação tenta prejudicar a campanha.

Correio Braziliense · Correio Braziliense, PGR · Poder360

Flávio e as rachadinhas. Em fevereiro de 2025 o ministro Gilmar Mendes negou reabrir o caso, mas lembrou que a anulação não impede o MP do Rio de apresentar nova denúncia.

Poder360 · Correio Braziliense, mansão

Lula e a Lava Jato. O STF anulou as condenações por incompetência da Justiça Federal de Curitiba e depois confirmou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. Reabertos em Brasília, os casos do triplex e do sítio prescreveram. Como presidente, Lula não é investigado pessoalmente; o filho é, no caso do INSS, e o Instituto Lula é citado na delação de Vorcaro rejeitada pela PGR.

STF · Poder360 · Correio Braziliense, triplex

Prioridades do eleitor: Lula x Flávio Bolsonaro

Como ler. Este é um mapa de prioridades, não uma recomendação de voto: mostra quais prioridades encontram mais respaldo no histórico de cada lado. A escolha depende de valores e de quanto peso cada pessoa dá a cada tema.

  • Flávio não é Jair Bolsonaro. O governo do pai serve de referência porque ele concorre pelo mesmo grupo político, mas é uma aproximação: o programa e a equipe dele podem ser diferentes.
  • Os dados olham para trás. Mostram o que cada governo entregou, não garantem o que virá, e vários números dependem de contexto, como pandemia, juros e herança fiscal.
Lula (2023–2026)

Prioridades com mais respaldo no histórico

  • Emprego e renda no curto prazo: desemprego na mínima da série, 5,6% em 2025, e renda recorde.
  • Combate à pobreza e programas sociais: extrema pobreza de 3,5% em 2024, menor nível da série, e saída do Mapa da Fome.
  • Meio ambiente: desmatamento na Amazônia cerca de 50% menor que em 2022.
  • Imposto de renda menor para quem ganha até R$ 5 mil, compensado por cobrança maior sobre altas rendas.
  • Instituições: quem dá peso alto à condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe tende a considerar isso decisivo.

Pontos de atenção

  • Dívida pública em alta, de 71,7% para 78,7% do PIB.
  • Juros de 15%, os mais altos desde 2006.
  • Fraude do INSS só interrompida em 2025.
  • Um ministro denunciado por corrupção.
  • O filho do presidente investigado.
Governo Bolsonaro (2019–2022)

Prioridades com mais respaldo no histórico

  • Controle da dívida e Estado menor: dívida de 75,3% para 71,7% do PIB, privatização da Eletrobras e autonomia do Banco Central.
  • Agenda de reformas pró-mercado: reforma da Previdência e marcos do saneamento e das ferrovias.
  • Acesso a armas: registros de CACs cresceram 474%. Os homicídios caíram no período, mas o FBSP não atribui a queda às armas.
  • Pauta de costumes conservadora e crítica ao PT, incluindo a avaliação de que a Lava Jato foi anulada por motivos processuais, sem absolvição no mérito.
  • Avaliação de governo: Bolsonaro terminou o mandato com 39% de ótimo/bom, acima dos 34% de Lula hoje.

Pontos de atenção

  • Inflação de 10% em 2021.
  • Desmatamento nos maiores níveis desde 2009.
  • Condução da pandemia, com a CPI pedindo o indiciamento do presidente.
  • A condenação por tentativa de golpe.
  • O próprio Flávio é investigado no STF no caso Banco Master.

O que pesa igual para os dois lados

  • Corrupção: nenhum dos candidatos tem condenação válida. Os maiores esquemas, INSS e emendas, atravessaram os dois governos; não há um "lado limpo" nos dados.
  • Crescimento: ficou parecido quando se desconta o ano da pandemia.

Como usar este mapa

  1. Escolha os três temas que mais importam para você.
  2. Veja o que os números de cada período mostram nesses temas, nas seções acima.
  3. Leia o plano de governo que cada candidato registrou no TSE.